O que mais um artista plástico precisa na vida além de causar polêmica? Frenesi em Manhattan, filas sem-fim, um prato cheio para quem adora transgressão. Em cartaz no MoMA, a retrospectiva de Marina Abramovic é o talk of the town entre os contemporâneos, de longe a expo mais controversa da temporada.

“The Artist is Present” traz a artista sérvia ao vivo e em cores em um dos pontos máximos de seu trabalho performático. Choque inicial, o espectador se vê diante de uma estática Marina, sentada em uma cadeira visivelmente desconfortável, muda, viva e não se sabe morta em alguma instância, de alguma forma ausente – mas de corpo presente. Cada visitante tem o direito de sentar-se em frente a ela e ficar ali, por horas e horas, “trocando” algum tipo de sensação: olhares, um frisar de testas, não sei. Mas incomoda, o silêncio de Marina inibe e, por um instante, te faz pensar. Pensar se devemos ficar ali ou sair correndo, tamanha solidão.

Outra cena que, se não incomoda, é das mais aflitivas possíveis, é a que mostra a artista em frente a uma escada com degraus feitos de facas. Parece que ela vai subir a qualquer momento…

Ponto máximo desse ‘best of’ definitivo da carreira de Abramovic é a reedição de uma performance de 1977. “Imponderabilia” traz dois artistas nus, junto a uma porta, e os visitantes tem de passar por eles para chegar a uma sala. Diz que um dos modelos vivos foi apalpado por um visitante e expulso do museu. A máxima “olhe, mas não toque” não foi respeitada.

E não se sabe, vendo todas aquelas cenas, de corpos lindos e perfeitos e outros que mexem com a ideia da morte, até que ponto Marina deseja que sua arte fique intocável para o público. Depois de visto, minha certeza é que nada ali pode ser invisível aos olhos.

Bem, é óbvio que as filas para entrar no MoMA são as maiores possíveis. Mas há um jeito de entrar de maneira rápida, prática e ainda por cima favorável ao museu. Explico quando vocês quiserem.