Chris Bicalho
A NEW WAY OF LOOKING AT TRAVEL
29 FEV
12:01 AM

EVOLUÇÃO DE VERÃO

Navegar é preciso. Descobrir novos portos, outros mares, levantar âncora de velhos destinos e virar o timão para longe da multidão. Fazer verão. Trancoso, St.Barths e Punta, não. Vamos discutir uma teoria da evolução, mais pé no chão do que sentados no Quadrado fazendo carão. E partir, livres como tartarugas, para Galápagos. É tempo de experimentar o último laboratório natural do Pacífico, a mil quilômetros do litoral equatoriano, lá mesmo, onde Darwin encontrou suas razões, fez revelações e, não duvido nada, viveu fortes emoções tropicais longe da vista alheia.

Passados uns cento e poucos anos, adivinha só: pouca coisa, quase nada mudou. O arquipélago está lá, preservadíssimo, um santuário da fauna marinha – a propósito, a mais rica do planeta –, o marco zero de mergulhadores, surfistas, iniciantes ou nível avançado, tem pra todos. Sim, Galápagos é um livro de biologia, um longa-metragem em 3D, um roteiro de James Cameron em parceria com George Lucas e Jacques Cousteau. Habitat das tartarugas gigantes, focas, pinguins, tubarões, leões marinhos… enfim, uma arca de Noé sem convés. Por ali também um sem fim de praias, quase todas virgens. Mais selvagem, impossível. Por isso mesmo, um tour inesquécível.

A temporada começa já, já, lá para dezembro, quando as águas estão mais quentes e os dias super ensolarados. A aventura começa agora. Pense na ideia de alugar um private yacht com os amigos, 16 bons e velhos amigos. O tour é de 7 dias, mais que isso você mergulha no profundo tédio. Vamos?

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27 FEV
12:01 AM

UMA NOITE NO MUSEU

Ou duas, ou três, quanto mais noites melhor. Invenção dos japoneses, eles, que largaram na frente na era do pós-luxo (tempos de amar e desejar o que não pode ser fabricado em série por fábricas chinesas), agora fazem reverência a um projeto ‘maxi minimalista’ que mistura três conceitos em um só. Projeto do arquiteto Tadao Ando, o hotel-museu-galeria Benesse Art Site fica (bem) escondida na ilha de Naoshima, a três horas de Tóquio, a um passo do céu, perto  do que a gente entende como zen.

A missão de integrar arte e arquitetura à paisagem é de uma contemporaneidade assustadora. Aqui, a não-arquitetura de Ando emociona por nos livrar de um impacto visual brutalista e surpreende pelas formas precisas e sem uma viga além do necessário. O espaço é neutro, neutro como manda a cartilha nipônica – na verdade, ele funciona apenas como um apoio ausente de cores para que elas, as obras de arte espalhadas pelos jardins e salões, possam sobressair em grau máximo.

O acervo permanente é feito com trabalhos de site-especific, assinados por artistas que lá ficaram hospedados e que deixaram suas marcas pela ilha, no local escolhido pelos próprios. Tem intervenções de Sol LeWitt, Thomas Ruff e Jennifer Barteltt + Yayoi Kusama (a dama das bolinhas), que instalou a sua grande abóbora num píer, e Cai Guo-Qiang, criador de um parque de banho rodeado por pedras esculturais com formas de bichos – isso depende da viagem de cada um.

E por dentro, um conjunto de salões de exposição faz as vezes de lobby. Telas expostas nas paredes escondem portas que revelam quartos simples, apenas 10, sem exuberâncias mobiliárias ou, ironia deste destino, qualquer obra de arte no pedaço. A única exceção fica por conta de um anexo, batizado de oval, onde repousam maravilhas de Keith Haring, Richard Long e novos talentos do atual cenário artsy do Oriente. Must go imediato, antes que os chineses copiem…

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09 FEV
09:42 AM

ORIENTE-SE


Nem que passássemos todos os dias do ano viajando conseguiríamos mapear todas os esconderijos da Ásia. Quando a gente acha que já viu de tudo, já foi a tudo ou já ouviu falar de tudo, eis que surge um aventureiro, geralmente inglês, revelando pérolas descobertas em sua vida sabática no Oriente.

* Langkawi, Malásia

Não, e não vem da Índia, do Sri Lanka (mas já já vem, pode esperar) ou da Mongólia as ‘eurekas’ da hora. Vem, sabe de onde? Anote aí: Filipinas, Malásia e Vietnam que, aliás, é o destino trendy do momento, para onde voam as andorinhas que já não morrem de amores pelas praias e spas de Phuket, ou nadam contra a corrente migratória da turma podes-crer que só fala em Laos e Camboja. Eu, por mim, cruzo logo a Indochina por inteiro e ainda acrescento Mianmar no roteiro.

* Palawan, Filipinas

Bem, mas a notícia é outra, falemos dos new hot spots. Langkawi, na Malásia, um arquipélago de 99 ilhas que repousam calminhas sobre o mar de Andaman, bem na divisa com a Tailândia, ponto de partida para uma série imabtível de sites para mergulho. O mar tira aquela onda de Sudeste Asiático, sabe? Aguas verdes e mornas…

* Palawan, Filipinas

Mesma vibe tem a ilha de Palawan, nas Filipinas, até então destino quase que exclusivo dos locais. É que a concorrência é grande por ali, afinal a partir das Filipinas não tardaríamos a chegar em Bali – que, diga-se de passagem, reúne seis dos dez melhores spas de todo o continente. Palavra da Smart Travel.

* Hôi An, Vietnam

E por fim, uma das joias mais bem guardadas do povo vietnamita, o vilarejo de Hôi An, com suas construções do século 10, 12, 15, pontes e templos que ajudam a contar a história de um antigo entreposto invadido por chineses, japoneses, holandeses e indianos. Desse fuzuê nasceu um sem-fim de pagodes, igrejas, mosteiros e mesquitas. Tudo tão diferente de tudo que só ali mesmo faz um belo conjunto arquitetônico.

E tem as “quinquilleries” colorindo os mercados, lanternas e potes de tons que você encontra ali, entre o mar e a montanha, na floresta densa que cerca a pequena cidade debruçada sobre o Mar da China. É antropologia pura, ótima ideia para uma temporada longe daquele lugar, daquele lugar-comum. Desapego total e absoluto, pero no mucho. Afinal, sempre tem um Aman, um Mandarin ou um Four Seasons pertinho da gente…

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07 FEV
11:38 AM

GIRA MUNDO

Já faz tempo que o céu deixou de ser limite para os afortunados desse mundo – não falo de dinheiro, mas de tempo livre. Essa sim a maior fortuna da primeira década do novo século. Pois bem, para quem tem um mês inteiramente free na agenda, sem ônus na vida profissional e pessoal (30 dias longe dos filhos e do marido é assinar atestado de desvairada, não é?), eis aqui a viagem dos sonhos. Mais que dar a volta ao mundo – it’s soooo 80’s –, o roteiro que vos canto atravessa lugares que não estão no mapa de qualquer agência, não. Com vocês, as chamadas “lost cities”. Vamos de encontro a elas.

Que tal embarcar num private jet com sua turma para uma super trip com escalas em cidades que companhia aérea nunca “pisou”? A bordo de um Boeing 757 com capacidade para 74 passageiros, você vai da Albânia ao Laos, passando pelas ex-repúblicas soviéticas (aquele monte de “ão” de pronúncia fora de questão, tipo Cazaquistão, Tadjiquistão, Uzbequistão,Turcomenistão, Azerbaijão, Zé Simão…), parando em vilarejos esquecidos pelo tempo, alguns perdidos na maré da globalização e todos eles, garanto, com um qualquer-coisa-que-se-sinta na alma.

No plan de voyage, ruínas macedônias e armênias, pitadas de islamismo em plena Rússia asiática + doses cavalares de zen budismo no Himalaia e na Indochina. Tem Butão, Nepal, Tibet, Laos e Camboja. Exótico? Imagina, é quase orgástico. Enquanto escrevo, faço de cabeça uma listinha com os 74 eleitos que levaria comigo nessa história quase irreal a precinho surreal: a coisa toda não sai por menos de 60 mil dólares por pessoa, incluindo aí hospedagem nos melhores hotéis de cada parada. Valor esse que me faz voltar a colocar os pés no chão. Mas é bom sonhar alto. Vai que se realiza?

Posted by: B360 Insider
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