NO SALTO DA BOTA
Quando todos os olhos se voltam para Toscana (e a gente prefere fechá-los com medo do que pode acontecer depois da novela), quando todos os barcos dão as costas para o Tirreno, quando todos os cães ainda descansam para a próxima caça às trufas no Piemonte é quando Puglia entra em cena.
É para o extremo sul da Itália, no salto da bota, no encontro dos três mares, que as andorinhas voam agora. Começo de outono, sol na temperatura certa, nada de aglomerados, praias que você jurava existir apenas na Grécia e vilarejos perdidos no tempo, cada um com seu ‘centro storico’. Pelas ruas e vielas, heranças de antigos invasores: gregos, romanos, turcos, saracenos, etruscos…
E todos que lá passaram lá deixaram suas marcas, suas histórias. Está lá até hoje, cada pedra, cada coluna, as lindas trulli (aquelas casinhas com telhado pontudo, coladas umas às outras… O que restou e o que ficou, um cenário global-vintage, cosmopolita à moda antiga. E põe antiga nisso.
Impressionante é perceber como até agora pouca gente fala de Puglia, assim, com propriedade. Bom disso tudo é que nessa luta diária de procurar esconderijos onde possamos ver de tudo e não ser visto por nada já podemos incluir mais um destino no caderninho de couro.
Londres acaba de abrir rota para lá, desembarcando em Bari e Brindisi – o voo é da Ryanair, daquele jeito que você desconfia. Mas é o que temos, a não ser que você voe private. Mas ok, a viagem não dura mais de três horas. Outra boa nova é que um super hotel acaba de abrir as portas na pequena cidade de Savelletri de Fasano, vizinha a Lecce – a “Firenze do Sul” com seus dois mil anos de vida.
Em estilo mourisco, o monocromático Borgo Egnazia está de frente para o Adriático, de costas para as oliveiras e arancetos e bem ao lado de um sítio arqueológico descoberto durante a construção. Tem de tudo, aquele papo spa e tal, mas é a sua praia particular que já faz valer a hospedagem, assim como o restaurante – ali, veramente, uma legítima cozinha fusion elaborada com as receitas de todos os povos que um dia passaram por ali. Não sei você, mas eu me convenci. Proceed to gate. Puglia, aí vou eu.






























