Chris Bicalho
A NEW WAY OF LOOKING AT TRAVEL
14 MAI
12:08 PM

EL CHEF DINAMARQUÉS

Há algo de novo no reino da Dinamarca – e não são os móveis de John Sebastian. Recém-eleito o melhor restaurante do mundo pela revista britânica “Restaurant”, o Noma (noma.dk), em Copenhagen, tirou o catalão El Bulli (que fecha suas portas em 2012) do topo da lista com sua cozinha inventiva, que usa técnicas da gastronomia contemporânea para transformar ingredientes locais, esquecidos pelo tempo ou desconhecidos pelo público, em pratos universais.

Pelas mãos do chef René Redzepi, de 32 anos – ex-assistente de Ferran Adrià, diga-se – nasceu uma nova culinária escandinava, fruto de anos de pesquisas em campo que levou à mesa iguarias inesperadas como o boi almiscarado da Groenlândia, seiva de bétulas dinamarquesas (que só florescem 20 dias por ano) e lagostins das Ilhas Faro. Tudo servido à moda nórdica, em porções sob medida para uma experiência gourmet minimalista.

Na cozinha de René todos os ingredientes são sazonais, sustentáveis e regionais. Regional também é o design do salão, very danish: só madeira – todas de reflorestamento, claro – e paredes cruas, sem pinceladas ou texturas. Enfim, aquele estilo neutro que qualquer casaquinho vermelho sobre a cadeira pode causar uma vertigem estética. Se precisávamos de mais um motivo para subir até a Escandinávia, eis aí o atrativo que faltava – ou você não acredita que estilo de vida também passa pelo estômago?

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13 MAI
12:46 PM

FÉ NO DESIGN

Milagre! Jerusalém, finalmente, entrou no mapa da hotelaria high-end. E a novidade caiu do céu para quem adora renovar a fé, e o repertório, na terra santa – ou não é o máximo dizer que esteve em Israel para uma temporada de orações no Muro das Lamentações e imersões na lama do Mar Morto? Isso tudo, claro, falado de um jeito super casual de quem não anda ligando para os prazeres mundanos.

Mas vamos sucumbir. E praticar o desapego em outro momento, pois pecado agora é não ajoelhar em frente ao Mamilla (mamillahotel.com), hotel luxuriante na medida e sem aqueles devaneios nababescos que fazem a cena das mil e uma noites no Middle East. Em território judeu, o padrão estético é mais discreto, sem opulência, nem décor palaciano: é quase americano.

Mas o Mamilla até que segue alguns mandamentos da quintessência de uma estrela do Oriente: spa com terapias holísticas, frenesi de design contemporâneo do lobby aos quartos (para aliviar a vista, cansada de tanta antiguidade nas ruas) e gastronomia com ingredientes locais + orgânicos.

Projeto da dupla Moshe Safdie and Piero Lissoni, o hotel já vale a viagem, e a hospedagem, só pela vista de seu terraço: lá de cima, um panorama completo da Cidade Velha, com destaque em primeiro plano para a Torre de David e o Portão de Jafa. Meia hora ali, uma reza forte e um chá de hortelã, e você lava a alma. E esquece as culpas. Então, o momento é esse: cabalistas de todo Brasil, uni-vos!

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12 MAI
12:56 PM

CHEF-D’OEUVRE

A esquecida região de Lorraine – sim, a das quiches – aposta todas suas fichas para sair do marasmo e entrar no roteiro artsy mundial com o nascimento da filial do Georges Pompidou, na cidade de Metz. Notícia fresquinha: o centro foi inaugurado ontem e a partir de hoje estará aberto ao público.

Curadores e diretores avisam: não se trata de um museu convencional, já que não tem coleção própria; também não é apenas um espaço para exposições temporárias: ele ambiciona mais do que isso. O Pompidou quer ser para Metz o que o Guggenheim foi para Bilbao.

Projeto do japonês Shigeru Ban em parceria com o francês (claaro) Jean de Gastines, a “casa”, vista do lado de fora, lembra um entrelaçado em rede de malha. Seu interior reserva terraços, jardins e galerias-mirador onde estarão parte do acervo da matriz parisiense, com obras que ajudam a contar a história das artes plásticas do século 20. A primeira exposição, “Obras-primas?”, já em cartaz, traz esculturas, fotografias e videoinstalações de Jean Dubuffet,  Picasso, Marc Chagall, Max Ernst, Wassily Kandisky, Alberto Giacometti, Fernand Léger, Jackson Pollock e Miró.

E o que fazer em Metz além de conhecer o Pompidou? Humm, recomendo ir e voltar no mesmo dia. De Paris, by TGV, são apenas 80 minutinhos. Mas antes de partir, que tal sentar-se à mesa do Le Magasin aux Vivres? No menu, destaque para as cassolettes de veau. Simples e deliciosas, nada de muito elaborado, não. Para variar um pouco e esquecer, de uma vez por todas, as quiches…

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11 MAI
12:59 PM

ESTRELA DO MAR

Navegar é preciso… e fora da temporada, fundamental. Quando a maré daytripper baixar, na altura em que o frenesi de verão acalmar, na época certa e na temperatura ideal de outubro é chegada a nossa vez de cruzar o Mediterrâneo. Para quem não tem brevê, aos que não querem alugar barco nem se pagarem cachê e a todos que desejam descobrir portos que fogem do clichê, eis a hot tip do dia: a Silversea acaba de lançar um ótimo roteiro al mare, de dez dias, passando pelas cidades mais românticas da Europa até ancorar em Istambul.

O cruzeiro começa em Nice, na Côte d’Azur e segue a riviera francesa até chegar na Itália, onde faz paradas estratégicas em Portovenere (acima), Livorno, Sorrento, na Costa Amalfitana, e Taormina (abaixo), na Sicília, ponto de encontro de quem anda fugindo do frenesi de Porto Cervo.

Detalhe: em cada destino você pode desembarcar na companhia do chef responsável pelo menu do cruzeiro e fazer comprinhas nos mercados à beira-mar – e todos os ingredientes farão parte do seu cardápio do dia: peixes, muitos deles, vinhos, frutas, legumes e verduras locais.

Bem, vamos seguir viagem. Próxima parada, Atenas. E de lá, Santorini (acima), onde você tem um dia inteiro para mergulhar na rotina da mais bombada das ilhas gregas. Ok, não é nenhuma novidade, mas ninguém pode ser blasé o bastante para dizer, em tom enfadado, que Santorini já era. E vamos em frente. Deslizando pelo Egeu, chegamos à charmosinha Kusadasi, já em águas turcas. Uma noite resolve a questão ali: rápido scanner no centro, um jantar leve, vinho local (uma ótima surpresa!).

Por fim, desembarque na capital afetiva dos turcos no primeiro raiar do dia. Chegar a Istambul junto com o sol, e ver a cidade acordar com os primeiros raios de luz de uma manhã de outono, é literatura pura. Fim da história? Que nada, ao fechar a cabine é hora de se abrir em terra firme: esticar, esticar e aproveitar Istambul sem compromisso com a agenda. De costas para o mar e de frente para o bar, ao lado de quem se deve estar, no hotel, no restô ou no Grand Bazaar… O que não falta é motivo para se jogar. E da minha parte, dicas para compartilhar. Um lencinho na mão e um cruzeiro na cabeça. Vem?

Posted by: B360 Insider
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