ANTES QUE SEJA TARDE
Da ação do homem à reação da natureza, locações ameaçadas de extinção aguardam (ansiosamente) a sua visita antes que virem uma vaga lembrança na memória afetiva do planeta. Aproveite que é por tempo limitado. Segundo a Unesco, existem no mundo mais de 600 patrimônios que correm sério risco de serem varridos do mapa a médio prazo. Antes de serem esquecidas, conheçam alguns lugares inesquecíveis ameaçados de extinção.
ILHAS MALDIVAS
Maldivas é o país mais plano do mundo, com uma altitude máxima de apenas dois metros, ou seja, qualquer abrir de torneiras já causa uma enchente catastrófica no arquipélago paradisíaco perdido entre a Índia e a costa africana, no Oceano Índico. São 1200 ilhas no total, ou melhor, eram. Com o tsunami de 2004, várias submergiram sem previsão de voltar à tona. E seus 300 mil habitantes perderam a conta de quantas ilhotas se foram – sendo que 70 perderam também as casas e o emprego. Toda a infra-estrutura do país foi por água baixo e com o aquecimento global o mar irá subir o suficiente para afogar de vez o país que vive única e exclusivamente do turismo. Ambientalistas não dão 30 anos de vida para as Maldivas, mas até lá vale uma temporada sob suas águas e bangalôs, um dos paraísos mais românticos do mapa.
ANGKOR, CAMBOJA
Cerca de um milhão de turistas visitam Angkor anualmente. O conjunto arquitetônico, construído entre os séculos 9 e 15, com destaque para o templo de Angkor Wat – ponto máximo do estilo do Império Khmer –, faz parte do Patrimônio da Unesco e está na lista negra da entidade como uma das joias ameaçadas de extinção. No ano passado, foi montado um programa de salvaguarda para livrar o sítio arqueológico da mira da guerra civil e da ação de predadores. Olhar não tira pedaço, a ideia aqui é ver e contemplar.
GARGANTAS DO RIO YANG TSÉ, CHINA
O progresso chegou à China de trator. E passa por cima de quem atrapalhar o crescimento da economia mais furiosa do século 21. Com a inauguração da maior represa e usina hidrelétrica do mundo, este ano, as Três Gargantas do rio Yang Tsé vão submergir. Qutang, Wu e Xiling, um trecho de 200 km de penhascos e corredeiras, se afogarão dentro de poucos meses. Vão-se embora, também, aldeias e templos milenares às suas margens que sobreviveram a todas as dinastias e mantiveram intactos seus costumes. Apesar dos protestos de ambientalistas, o governo chinês não se comoveu e já começou a ‘redirecionar’ os moradores da região de Chongqing. Mais de um milhão de pessoas serão removidas. E para onde vão? Xangai, claro.
ILHAS GALÁPAGOS, EQUADOR
O parque das ilhas Galápagos submete-se a uma ofensiva da indústria equatoriana de pesca, que entrou em guerra contra uma lei que reforça a proteção na reserva e impõe cotas. Trata-se fundamentalmente de limitar os massacres de tubarões, morsas, tartarugas e focas, dos quais alguns órgãos reputados afrodisíacos são muito estimados na Ásia. Mas o governo de Quito não tem recursos para controlar uma zona de 133 mil km2 e a matança segue solta. A fauna marinha estará ameaçada enquanto houver um mercado para barbatanas, ovos de tartaruga, etc…
LUANG PRABANG, LAOS
Antes de ser considerada patrimônio mundial da Unesco, em 1995, a cidade de Luang Prabang vivia incólume sobre o vale do rio Mekong. A declaração fez despertar a curiosidade do viajante e desde então a pequena vila tornou-se um dos pontos mais cobiçados da Indochina. Antiga capital real do Laos, com 25 mil habitantes, Luang Prabang chega a receber 100 mil visitantes por ano. Alguns de seus templos, monastérios e casarios erguidos no século 14 foram transformados em resorts, restaurantes e lojas. O problema ali é que a especulação imobiliária não tarda a chegar, portanto vá antes que seja mesmo tarde.





























