Chris Bicalho
A NEW WAY OF LOOKING AT TRAVEL
19 ABR
08:41 PM

ANTES QUE SEJA TARDE

Da ação do homem à reação da natureza, locações ameaçadas de extinção aguardam (ansiosamente) a sua visita antes que virem uma vaga lembrança na memória afetiva do planeta. Aproveite que é por tempo limitado. Segundo a Unesco, existem no mundo mais de 600 patrimônios que correm sério risco de serem varridos do mapa a médio prazo. Antes de serem esquecidas, conheçam alguns lugares inesquecíveis ameaçados de extinção.

ILHAS MALDIVAS


Maldivas é o país mais plano do mundo, com uma altitude máxima de apenas dois metros, ou seja, qualquer abrir de torneiras já causa uma enchente catastrófica no arquipélago paradisíaco perdido entre a Índia e a costa africana, no Oceano Índico. São 1200 ilhas no total, ou melhor, eram. Com o tsunami de 2004, várias submergiram sem previsão de voltar à tona. E seus 300 mil habitantes perderam a conta de quantas ilhotas se foram – sendo que 70 perderam também as casas e o emprego. Toda a infra-estrutura do país foi por água baixo e com o aquecimento global o mar irá subir o suficiente para afogar de vez o país que vive única e exclusivamente do turismo. Ambientalistas não dão 30 anos de vida para as Maldivas, mas até lá vale uma temporada sob suas águas e bangalôs, um dos paraísos mais românticos do mapa.

ANGKOR, CAMBOJA


Cerca de um milhão de turistas visitam Angkor anualmente. O conjunto arquitetônico, construído entre os séculos 9 e 15, com destaque para o templo de Angkor Wat – ponto máximo do estilo do Império Khmer –, faz parte do Patrimônio da Unesco e está na lista negra da entidade como uma das joias ameaçadas de extinção. No ano passado, foi montado um programa de salvaguarda para livrar o sítio arqueológico da mira da guerra civil e da ação de predadores. Olhar não tira pedaço, a ideia aqui é  ver e contemplar.

GARGANTAS DO RIO YANG TSÉ, CHINA


O progresso chegou à China de trator. E passa por cima de quem atrapalhar o crescimento da economia mais furiosa do século 21. Com a inauguração da maior represa e usina hidrelétrica do mundo, este ano, as Três Gargantas do rio Yang Tsé vão submergir. Qutang, Wu e Xiling, um trecho de 200 km de penhascos e corredeiras, se afogarão dentro de poucos meses. Vão-se embora, também, aldeias e templos milenares às suas margens que sobreviveram a todas as dinastias e mantiveram intactos seus costumes. Apesar dos protestos de ambientalistas, o governo chinês não se comoveu e já começou a ‘redirecionar’ os moradores da região de Chongqing. Mais de um milhão de pessoas serão removidas. E para onde vão? Xangai, claro.

ILHAS GALÁPAGOS, EQUADOR


O parque das ilhas Galápagos submete-se a uma ofensiva da indústria equatoriana de pesca, que entrou em guerra contra uma lei que reforça a proteção na reserva e impõe cotas. Trata-se fundamentalmente de limitar os massacres de tubarões, morsas, tartarugas e focas, dos quais alguns órgãos reputados afrodisíacos são muito estimados na Ásia. Mas o governo de Quito não tem recursos para controlar uma zona de 133 mil km2 e a matança segue solta. A fauna marinha estará ameaçada enquanto houver um mercado para barbatanas, ovos de tartaruga, etc…

LUANG PRABANG, LAOS


Antes de ser considerada patrimônio mundial da Unesco, em 1995, a cidade de Luang Prabang vivia incólume sobre o vale do rio Mekong. A declaração fez despertar a curiosidade do viajante e desde então a pequena vila tornou-se um dos pontos mais cobiçados da Indochina. Antiga capital real do Laos, com 25 mil habitantes, Luang Prabang chega a receber 100 mil visitantes por ano. Alguns de seus templos, monastérios e casarios erguidos no século 14 foram transformados em resorts, restaurantes e lojas. O problema ali é que a especulação imobiliária não tarda a chegar, portanto vá antes que seja mesmo tarde.


Posted by: B360 Insider
Gostou? Comente »
1 Comentário
16 ABR
08:22 PM

UM OÁSIS NO DESERTO

Depois de tanta areia no caminho, ouço um barulho de cascata e penso comigo: deve ser ‘miragem auditiva’ ou então alguma obra faraônica de um árabe bem excêntrico perdido no meio do deserto. Errei por pouco. Pois, de fato, no meio do caminho havia uma cascata, havia uma cascata no meio do caminho. Obra, certamente, de alguém se, não excêntrico, muito visionário.


E sorte a minha que o destino final era ali mesmo, sob as águas cristalinas que caem das pedreiras sobre a piscina do Evason Ma’In Hot Springs & Six Senses Spa (sixsenses.com), na Jordânia. Nomezinho longo esse, hã? Mas curta essa dica: encravado entre os rochedos rosados da belíssima cidade de Petra, o hotel é um oásis de perdições gastronômicas e estéticas.


O mais incrível? Todos os produtos que são levados à mesa também são usados nos tratamentos do spa. E plantados ali mesmo, na terra árida. Só orgânicos e locais – frescos para quem adora uma frescura! E quem não gosta? O negócio é assumir. E relaxar.

No cardápio, tâmara, azeite de oliva, leite de cabra, mel e, claro, lama e sal do Mar Morto… de esfoliante a saladinha, de hidratante a sobremesa, os ingredientes são os mesmos – só muda a receita, né? Indescritível a salada de queijo labneh com romã, tomate e pepinos. Irresistível uma imersão na piscina termal depois de um micro triathlon (cooper, natação e hiking) ou prática de ioga no deserto. Depois, é jantar leve e dormir no maior silêncio – os quartos (todos com balcony) são de uma simplicidade cativante, decorados com móveis artesanais made in Jordânia.


Uma temporada de quatro dias é mais que ideal, antes ou depois de você conhecer todos os sítios arqueológicos da região. Lembrando que por solo jordano passou Jesus Cristo e grande elenco bíblico. Dizem, até, que o Jardim do Éden era lá. Só não sabem exatamente aonde. Eu desconfio que era bem perto do Evason. Ou aquela cascata nasceu ali por acaso?

Posted by: B360 Insider
Gostou? Comente »
Nenhum comentário
TAGS: ,
14 ABR
08:10 PM

ASSUNTO PARTICULAR

Chamá-lo de apart pode denegrir a sua imagem. Dizer que é um hotel boutique – ou design, sei lá -, também não é o caso. Digamos, então, que este endereço secreto, exclusividade nossa no Brasil, seja a melhor solução que os franceses encontraram para manter vivo o espírito très chic de seus hôtel particulier.


E estamos falando de um dos mais emblemáticos de Paris, a antiga residência de um conde suíço, localizada no coração de Madeleine.

Em estilo renascentista, construído em 1838, serviu de pouso para nobres como Luis da Baviera, Guilherme da Bélgica, Napoleão III e Franz Liszt, que se refugiavam ali em pleno apogeu da haute bourgeoisie. E o que ficou daquela época? A aura de um tempo em que a realeza ensinou o mundo o savoir vivre que até hoje pauta a rotina dos parisienses – o que a gente adora experimentar in loco.


Bom gosto, exclusividade, nada de exageros, discrição máxima e ambientes cuidados nos mínimos detalhes. Velhos aposentos foram transformados em belos apartamentos decorados à moda post-modern, com obras de Jean-Michel Basquiat, Andy Warhol, Keith Haring, Takashi Murakami e grande elenco, além de objetos de Starck iluminando salões, quartos e a penthouse com vista integral para ela, a torre.

Embora sua logística seja de um hotel, nem de longe você vai se sentir em um. A ideia é deixar o hóspede livre, quieto, sem frenesi de lobby ou imersão society junto ao bar – embora aqui tenha um jardim interno que, vou contar, vale passar tardes no maior papinho.


O contraste da fachada secular com o design contemporâneo é de uma delicadeza programada. É para se sentir em casa mesmo, afinal ela será sua pelo tempo que quiser: uma semana, duas, três…


E tem de tudo, de adega a cozinha ultramoderna, móveis e, da porta para fora, na vizinhança da rua Tronchet, grandes endereços gourmet: Caviar Kaspia, Fauchon, várias confiseries e boulangeries, lojinhas de queijos, vinhos e, caso seja o caso, um Ladurée bem pertinho de você. Bienvenue e fique bem à vontade.

Posted by: B360 Insider
Gostou? Comente »
Nenhum comentário
12 ABR
02:20 AM

SALUT, PIERRE!

Depois do big bang, o grande boom. Livre da crise, Nova York saiu do crash e voltou para o posh, sem ecalas, non stop. Na cidade que se reinventa dia após dia, novos endereços surgem em cada esquina e antigos símbolos renascem com força total – e com um little help from new friends, o muito bem-vindo dinheiro dos países emergentes.

Aconteceu com o Pierre, um dos hotéis mais emblemáticos da big apple comprado e restaurado pelo poderoso grupo Taj, a maior cadeia hoteleira da Índia que pouco a pouco começa a se espalhar pelos principais destinos do mundo. Os marajás já estão em Dubai, Londres, Boston e Sydney e agora entram em Manhattan pela porta da frente, no coração da cidade, no melhor ponto da 5th Avenue com vista mais que integral para o Central Park.

read more »

Posted by: B360 Insider
Gostou? Comente »
Nenhum comentário